Em agosto de 2024 a MakeMusic encerrou o desenvolvimento do Finale. A janela de suporte já descrita na página da alternativa ao Finale fechou em agosto de 2025. Para quem ainda abre partituras antigas de coral, isso não é um slogan. É a pergunta prática de como tirar a melodia do arquivo velho, levar as quatro vozes para um lugar que ainda abre, e não reconstruir cada hino à mão na semana do ensaio. O CantuStudio entra como primeira passada desse trecho. Não é um clone do Finale e não é uma suíte de gravura.
Migrar não é escolher um programa vencedor. É separar o que precisa sobreviver: alturas, ritmo, letra, tom e o que o seu coral de fato canta. O arquivo proprietário do Finale só vive enquanto aquele programa abre. O MusicXML é a ponte. PDF é a figura que você já distribuiu. MIDI é o playback, se você ainda tem. Nenhum dos três recupera sozinho um layout de hinário com todas as manias da sua casa. Recuperam o bastante para o ensaio não parar.
Este artigo é o caminho do regente de igreja, não uma disputa entre editores. MuseScore, Sibelius e Dorico continuam sendo lugares legítimos para paginar. O app de arranjo SATB serve quando o que falta é um rascunho a quatro vozes a partir da melodia que você conseguiu exportar. O app para o regente descreve o mesmo ciclo do lado de quem ensaia. A página de planos diz o que a conta entrega. O guia de arranjo coral é o checklist musical depois que o arquivo abriu.
O que acabou e o que o seu computador ainda abre
Encerrar o desenvolvimento não apaga o programa do disco de quem já instalou. Apaga a expectativa de atualização, de correção e de suporte. Um Finale que abre hoje no seu sistema pode deixar de abrir na próxima troca de computador. Tratar isso como detalhe de licença é adiar a cópia das peças que o coral ainda canta. A primeira tarefa não é aprender um menu novo. É listar os hinos que você não pode perder e tirá-los de um formato que só um programa morto lê.
Faça a lista curta. Não são todos os arquivos da pasta de 2009. São os que voltaram ao ensaio nos últimos tempos, os de domínio público que você rearmonizou, e os que você tem direito de continuar editando. Obra com direito autoral de terceiro não fica mais livre porque o editor encerrou. Migrar o arquivo não cria licença. Se você não podia distribuir aquela parte antes, continua sem poder. Separe esse monte antes de exportar, para não passar a tarde salvando o que não pode ir para a pasta do coral.
Enquanto o Finale ainda abre, exporte. Não espere o computador novo. MusicXML para a partitura, PDF para a figura que o coral já conhece, e MIDI se você usa playback. Faça um hino piloto do começo ao fim, abra o MusicXML noutro programa e só então repita o gesto nos outros. Um piloto mostra se a clave do tenor oitavou, se a letra colou e se o compasso de espera sumiu. Descobrir isso no quinquagésimo arquivo é o jeito demorado.
MusicXML é a ponte, não o arquivo antigo com outro nome
O arquivo nativo do Finale não é um MusicXML disfarçado. Plugins, expressões particulares, playback humano que você desenhou à mão e alguns sinais de edição podem não viajar. O que viaja, quando a exportação está boa, são alturas, durações, claves, pentagramas e uma parte útil da letra. Isso basta para reconstruir um hino. Não basta para clonar a sua tela antiga. Aceite a perda do menu. Não aceite a perda da melodia.
Abra o MusicXML no programa em que você vai continuar, no mesmo dia. Confira o primeiro tempo de cada frase: a soprano ainda é a melodia que a assembleia canta? O baixo ainda anuncia o acorde? O tenor está na oitava certa? Se a resposta for não, o problema pode ser a exportação, não o seu ouvido. A página de harmonização com MusicXML descreve a entrada de um arquivo desses num rascunho SATB. Use quando a melodia chegou inteira e as outras vozes é que precisam de uma passada nova, não quando o arquivo inteiro veio torto.
Guarde o MusicXML ao lado de uma cópia do PDF antigo. O PDF mostra como a página era. O MusicXML mostra o que você ainda pode mudar. Se no futuro um programa ler mal um detalhe, o PDF antigo é a testemunha. Sem essa testemunha, você discute com a memória. Nomeie os dois com o mesmo hino, o mesmo tom e a mesma data. Pasta bonita sem nome honesto vira outro labirinto, só que fora do Finale.
O que se perde na passagem, e o que você não deve fingir que veio
Layout é o que mais mente na migração. Quebra de sistema, tamanho de nota, posição da letra e marcas de expressão podem sentar em outro lugar. Não chame isso de corrupção da música se as alturas estão certas. Chame de paginação por fazer. Regente que compara a primeira tela e desiste está confundindo a casa com a planta. A música é a planta. A página se reconstrói. Se uma altura mudou, aí sim pare e não continue em lote.
Playback desenhado no Finale também não é um contrato. Curvas de tempo, equilíbrio de naipe e um piano de ensaio que você mixou podem sumir. O MIDI, se você exportou, guarda uma versão mais crua desse playback. Não é a sessão antiga. É o bastante para o cantor ouvir a linha. O kit de ensaio por naipe, depois que você tem um SATB revisado, põe cada voz no celular sem instalar o editor. Isso substitui o hábito de mandar o arquivo do Finale no grupo, hábito que já não tem futuro.
Letra e hífen merecem uma leitura em voz alta no arquivo novo. Sílabas que caíram na nota vizinha, melisma que virou duas palavras, refrão que repetiu a estrofe: tudo isso passa por exportação sem desafinar uma altura. O coral vai cantar o que está escrito. Se a palavra mudou, a teologia da estrofe mudou, mesmo com o acorde lindo. Leia uma estrofe inteira antes de declarar o hino migrado. É mais rápido do que ensaiar o texto errado.
Um rascunho SATB não é um Finale novo
Há quem migre porque precisa do editor completo, e há quem migre porque só precisava das quatro vozes de um hino para domingo. São tarefas diferentes. Se você monta a página do hinário, escreve parte instrumental e vive de expressão gráfica, o destino é um editor de notação que ainda se desenvolve. Se você tem a melodia e precisa de soprano, contralto, tenor e baixo para revisar, o CantuStudio faz essa primeira passada. Ele não reproduz a sua biblioteca de articulações. Não finja que reproduz.
O fluxo honesto é: exporte a melodia, ou o SATB antigo, em MusicXML. Se as quatro vozes antigas ainda servem, continue nelas no editor novo. Se o que você tem é a melodia e o resto envelheceu, gere um rascunho, mantenha a melodia na soprano e revise. A checagem aponta quintas paralelas, inclusive décima segunda, oitavas paralelas, inclusive uníssono, cruzamento, tessitura e nota estranha ao acorde em tempo forte. Pausa interrompe a comparação de paralelas. Movimento contrário não conta como paralela. O relatório não conhece o seu texto.
A janela de tessitura dessa checagem vai de dó4 a ré5 na soprano, fá3 a dó5 no contralto, si2 a sol4 no tenor e mi2 a ré4 no baixo. É borda de impressão, não conforto de voluntário. Um hino que no Finale já vivia no extremo vai continuar extremo se você não transpor. Migrar de programa não transpôs o tom. Cante as bordas de novo, no arquivo novo, antes de imprimir a pasta. O guia de arranjo coral insiste nesse ponto porque ele não depende de qual editor desenhou a pauta.
Ensaio na semana em que o programa antigo não é mais o plano
O coral não migra de software. Migra de folha. Se a folha nova tem o mesmo hino, o mesmo tom e a mesma letra, o ensaio segue. Se você aproveitou a migração para rearmonizar tudo, avisou sem querer que o domingo é estreia. Faça isso só no hino que precisava. Os outros viajam quietos: mesma música, página nova. Regente que reescreve o repertório inteiro no mês da mudança paga duas vezes, uma no arquivo e outra na sala.
Combine o que cada pessoa recebe. Quem imprime, recebe PDF. Quem estuda a voz, recebe MIDI ou o link do kit. Quem edita com você, recebe MusicXML, e só se a conta entrega esse download. No CantuStudio o MusicXML é Pro. Conta gratuita não baixa o .musicxml. A oferta publicada da conta grátis fala em 10 harmonizações e 2 MIDI por mês, e a demonstração sem cadastro aceita até 16 notas. Confira os limites atuais em planos antes de prometer à equipe de música um lote de arquivos.
Guarde uma nota curta do que mudou em cada hino: só a página, ou também o baixo, ou também o tom. Daqui a um ano alguém acha duas versões e pergunta qual o coral decorou. Sem essa nota, as duas parecem oficiais. A migração falha menos por causa do formato e mais por causa de versão sem dono. Um caderno, ou uma linha no nome do arquivo, resolve. Não precisa de sistema novo para isso.
O que continua no editor, e o que volta para a sua mesa
Depois da ponte, pagine no editor que você escolheu. Respiro, hífen, tamanho de papel, número de compasso e a clave que o seu tenor lê sem susto são trabalho de gravura. O rascunho não faz esse acabamento, e não deve prometer que faz. Se você levar o MusicXML de volta ao editor e a página sair torta, o próximo passo é o editor, não outro gerador. Gerar de novo sem ler o que saiu só produz outra pilha.
Volte ao ouvido antes de declarar a migração encerrada. Cante cada voz uma vez. Se o contralto só existe colado na soprano, a linha não viajou: ela nunca foi linha. O guia de quintas e oitavas paralelas ajuda a nomear o que fundiu dois naipes. O guia de arranjo coral ajuda a decidir se a textura ainda cabe na sala. Essas páginas não substituem o Finale. Substituem a esperança de que o arquivo certo dispensa a escuta.
O que você pode dizer em público, sem inventar facilidade, é estreito. Dá para tirar a melodia de um arquivo que ainda abre, gerar ou revisar um SATB, ouvir, e exportar PDF, MIDI ou MusicXML conforme o plano. Não dá para garantir a página idêntica, a licença da obra, nem um editor completo. Se o objetivo é o ensaio de domingo com a música que o coral já conhece, a ponte basta. Se o objetivo é um hinário novo, a ponte é só o primeiro metro.